George Soros: De US$ 12 milhões em 1970 para US$ 25 bilhões em 2011.

George Soros, nascido como György Schwartz em Budapeste em 1930, em 2018 já tinha doado mais de 32 bilhões de dólares para sua agência filantrópica, a Open Society Foundation.

Soros, aos 17 anos emigrou para o Reino Unido, em 1947, quando passou a estudar na London School of Economics, graduando-se em bacharelado e em mestrado, em filosofia. Enquanto estudou ele fazia bicos como carregador de malas de uma ferrovia e garçom de boates.

George Soros se casou três vezes, e teve três filhos com sua primeira mulher, a alemã Annaliese Witschak. O casal se separou em 1983, ano em que ele se casou pela segunda vez, com Susan Weber. Ficaram juntos até 2005, e tiveram dois filhos. O investidor húngaro se casou pela terceira vez em 2013. Sua mulher, Tamiko Bolton, é 42 anos mais jovem que ele.

Soros iniciou sua carreira comercial trabalhando em bancos comerciais no Reino Unido e depois nos Estados Unidos, para  onde emigrou em 1956. Passou alguns anos trabalhando em empresas de Nova York antes de fundar seu próprio fundo de investimentos, o Double Eagle, em 1969. Os lucros de seu primeiro fundo forneceram o dinheiro inicial para iniciar o Soros Fund Management, seu segundo fundo de hedge, em 1970. O Double Eagle foi renomeado para Quantum Hedge Fund e foi a principal empresa que Soros gestou.

Quantum Hedge Fund  ganhou notoriedade por suas especulações flexíveis e de curto prazo no mercado financeiro global. Esse sucesso fez de Soros um dos homens mais ricos do mundo e cimentou sua fama no mercado de investimentos. Quando foi criado, a Quantum Hedge Fund possuía 12 milhões de dólares em ativos sob gestão e, em 2011, possuía 25 bilhões de dólares, a maioria do patrimônio líquido geral de Soros.

Além dos fundos de investimento e da filantropia, Soros também gastou dinheiro com equipes de esporte. Ele adquiriu uma pequena parcela do time de futebol inglês Manchester United, sendo que a empresa se encontra com uma enorme dívida e espera reduzir sua receita em até 5% no próximo ano. Diante de um cenário pessimista não haveria nenhuma razão aparente para aplicar em um time desses. Mas talvez, seja exatamente esse sentimento de que ninguém vê as ações com bons olhos que as torne tão atrativas para Soros.

Soros é conhecido como “o homem que quebrou o Banco da Inglaterra” por causa de sua venda a descoberto de 10 bilhões de dólares em libras esterlinas, o que lhe rendeu um lucro de 1 bilhão de dólares, apostando “contra” a libra esterlina, a moeda corrente no Reino Unido durante a crise monetária da Inglaterra, na “Quarta-Feira Negra” de 1992, quando o banco central perdeu um total de três bilhões de libras para especuladores. O evento quebrou o banco central inglês e obrigou o Reino Unido a sair do Sistema Monetário Europeu.

Em 15 de setembro de 1992, o presidente do Bundesbank (o banco central da Alemanha), Helmut Schlesinger, afirmou numa entrevista que seriam necessárias desvalorizações cambiais, num movimento que o banco central inglês estava acompanhando. No dia seguinte, a venda de libras foi massiva. “O Bundesbank estava basicamente pedindo para que os especuladores apostassem contra as moedas mais fracas. Só seguimos a dica”, afirmou George Soros, em 1997, à BBC.

O Banco de Inglaterra tentava a todo o custo impedir os especuladores e o Tesouro chegou a gastar dois bilhões de libras para comprar moeda e elevar artificialmente o preço. Soros vendeu 5 bilhões de libras enquanto estavam com um preço elevado para voltar a comprar quando o valor caiu a pique.

Foi graças a esse e outros tipos de investimento semelhantes que Soros consolidou sua imagem de principal investidor em moeda no mundo, tendo sido acusado de ter, por exemplo, ajudado a criar a crise financeira da Ásia em 1997, quando a moeda tailandesa entrou em colapso, contagiando a economia da região. Soros esteve no centro dessas críticas, mas outros investidores tinham feito apostas bem mais polpudas contra a moeda tailandesa do que a empresa do investidor. Apesar de Soros ser um enigma em relação aos seus investimentos e ao mesmo tempo em que a grande maioria tenta entender a loucura que é a bolsa de valores, Soros transita por ela com a maior facilidade, e o pior de tudo: ele acredita que as ações são algo previsível. George Soros é um investidor estratégico e ousado. Sua estratégia de investimento envolve assumir riscos, com apostas rápidas e de alta alavancagem. Seu método é o oposto ao de Warren Buffett, por exemplo.

Com base em seus primeiros estudos de filosofia, Soros formulou uma aplicação da Teoria Geral da Reflexividade de Karl Popper, com quem estudou. Popper ficou conhecido como grande defensor da democracia liberal no pós-guerra. A concepção de “sociedade aberta” de Popper se tornou uma profunda influência na ideologia de Soros.

Soros é um conhecido apoiador de causas políticas progressistas e liberais, para as quais ele distribui doações por meio de sua fundação. Entre 1979 e 2011, ele doou mais de 11 bilhões de dólares para várias causas filantrópicas. Suas doações “em iniciativas civis para reduzir a pobreza e aumentar a transparência e em bolsas de estudo e universidades em todo o mundo” totalizaram 12 bilhões de dólares.

Ele influenciou o colapso do comunismo na Europa Oriental no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 e forneceu uma das maiores doações ao ensino superior da Europa para a Universidade Centro-Europeia em sua cidade natal húngara. Seu extenso financiamento de causas políticas fez dele um “alvo dos nacionalistas europeus”. Vários conservadores estadunidenses já promoveram falsas alegações que caracterizam Soros como um “mestre das marionetes” singularmente perigoso por trás de uma variedade de supostas conspirações globais, sendo que o The New York Times relatou em 2018 que essas alegações haviam “mudado da periferia para a corrente principal” da política do Partido Republicano. As teorias da conspiração dirigidas a Soros, que é descendente de judeus, têm sido frequentemente descritas como antissemitas.

No Brasil, Soros, que no passado era visto com desconfiança pela esquerda por sua atuação como especulador em moedas internacionais, também é criticado por ativistas de direita, que o acusam de ser “esquerdista” por financiar ONGs de defesa de direitos humanos. Há quem diga que as teorias da conspiração em torno da organização de Soros lembram bordões usados na Alemanha nazista, incriminando banqueiros judeus que supostamente queriam criar uma “nova ordem mundial”.

Em uma carta enviada ao jornal londrino Financial Times, George Soros afirmou que Mark Zuckerberg deve parar de “ofuscar os fatos argumentando piamente pela regulamentação do governo” e que o executivo e a diretora de operações Sheryl Sandberg devem ser removidos do controle do Facebook. Aparente isso foi uma resposta à declaração de Zuckerberg que afirmou que as big techs precisam de mais regulamentação e que novas regras podem prejudicar os resultados do Facebook a curto prazo, mas ajudarão a longo prazo.

George Soros escreveu vários livros, alguns abaixo relacionados:

– A Alquimia das Finanças, de 1987;
– Ficando à Frente da Curva, de 1995;
– A Crise do Capitalismo, de 1998;
– Globalização, de 2002;
– A Era da Falibilidade: Consequências da Guerra Contra o Terrorismo, de 2006;
– O Novo Paradigma para os Mercados Financeiros, de 2008;
– Em Defesa da Sociedade Aberta, de 2019.

Algumas frases dizem mais a respeito de Soros:

“Não há nada de errado em correr riscos; desde que não se arrisque tudo.” George Soros

“Se o investimento for divertido, se você estiver se divertindo, você provavelmente não estará ganhando dinheiro. O bom investimento é chato.” George Soros

“Eu sou rico apenas porque sei quando estou errado… Eu basicamente sobrevivi por reconhecer os meus próprios erros.” George Soros

“Os mercados estão em constante estado de incerteza e fluxo, e dinheiro é feito ao ignorarmos o óbvio e apostando no inesperado.” George Soros

“A bolha nos mercados não crescem com ar rarefeito. Elas tem uma base sólida na verdade, mas a realidade é distorcida por um equívoco.” George Soros

“A maior parte da pobreza e miséria do mundo acontece por um mau governo, falta de democracia, Estados fracos, lutas internas, e assim por diante.” George Soros

“É muito mais fácil colocar recursos existentes em um melhor uso do que desenvolver recursos onde eles não existem.” George Soros

“Quando as taxas de juros estão baixas nós desenvolvemos condições para bolhas serem criadas, e elas estão sendo criadas no momento. A última foi do ouro.” George Soros

“Se eu tivesse que resumir as minhas habilidades práticas, eu usaria uma palavra: sobrevivência. E operar um fundo hedge utilizou o meu treinamento de sobrevivência ao máximo.” George Soros

“A visão geralmente aceita é que o mercado está sempre certo — isso significa que os preços de mercado tendem a precificar desenvolvimentos com precisão, mesmo quando não temos certeza quais sejam estes desenvolvimentos. Eu tenho uma visão oposta. Eu acredito que os preços de mercado estão sempre errados no sentido que eles representam uma visão parcial do futuro.” George Soros

“Quando você vende opções, você é pago para assumir risco. Isso pode ser um negócio lucrativo, mas não se mistura bem com o risco inerente de um portfólio alavancado.” George Soros

“O problema dos investidores institucionais é que os seus desempenhos geralmente são medidos em relação aos seus pares e não pelo seu valor absoluto. Isso faz com que eles sigam a manada por definição.” George Soros

“Nós [na Soros Fund Management] utilizamos opções e instrumentos derivativos exóticos com moderação. Nós tentamos pegar as tendências antes e nos estágios posteriores tentamos pegar a tendência de modo inverso. Por isso, nós tendemos a estabilizar o mercado ao invés de desestabilizá-lo. Nós não estamos fazendo isso como um serviço social. É o nosso estilo de ganhar dinheiro.” George Soros

“Eu sou pela máxima supervisão e mínima regulação.” George Soros

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